{"id":230,"date":"2025-01-27T08:00:00","date_gmt":"2025-01-27T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cascawines.com\/journal\/o-papel-das-borras-no-vinho-tecnica-ou-acaso-2\/"},"modified":"2026-09-16T17:39:09","modified_gmt":"2026-09-16T16:39:09","slug":"o-papel-das-borras-no-vinho-tecnica-ou-acaso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cascawines.com\/pt\/diario\/o-papel-das-borras-no-vinho-tecnica-ou-acaso\/","title":{"rendered":"O Papel das Borras no Vinho: T\u00e9cnica ou Acaso?"},"content":{"rendered":"<p data-pm-slice=\"1 1 []\">As borras do vinho s\u00e3o uma das mais fascinantes e subestimadas ferramentas da enologia. Para muitos consumidores, as borras podem parecer apenas um resqu\u00edcio do processo de fermenta\u00e7\u00e3o, algo que deveria ser eliminado. No entanto, para en\u00f3logos experientes, elas representam um mundo de possibilidades, uma forma de elevar a qualidade de um vinho e criar experi\u00eancias sensoriais \u00fanicas. Mas o que s\u00e3o as borras, afinal? E como passaram de \u201cres\u00edduo\u201d a um elemento central na produ\u00e7\u00e3o de vinhos premium?<\/p>\n<p>As borras consistem principalmente em c\u00e9lulas de leveduras mortas, pequenos fragmentos de peles de uvas e outros s\u00f3lidos que restam ap\u00f3s o processo de fermenta\u00e7\u00e3o. Durante s\u00e9culos, elas foram vistas como uma consequ\u00eancia natural da vinifica\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o necessariamente como algo ben\u00e9fico. Foi apenas com o tempo, e com a evolu\u00e7\u00e3o do conhecimento enol\u00f3gico, que se descobriu o verdadeiro potencial das borras.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria das borras no vinho \u00e9 tamb\u00e9m a hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o da enologia. Desde os tempos antigos, quando os vinhos eram armazenados em \u00e2nforas e o contacto com as borras era inevit\u00e1vel, at\u00e9 os dias modernos, onde o seu uso \u00e9 deliberado e meticulosamente controlado, as borras t\u00eam desempenhado um papel essencial na cria\u00e7\u00e3o de vinhos de qualidade. Esta transforma\u00e7\u00e3o de res\u00edduo a recurso \u00e9 um testemunho da criatividade e da experi\u00eancia acumulada por gera\u00e7\u00f5es de produtores.<\/p>\n<p>Hoje, as borras s\u00e3o um ingrediente-chave para dar ao vinho mais textura, complexidade arom\u00e1tica e estabilidade. Em vinhos brancos e espumantes, em particular, o contacto com as borras pode trazer uma riqueza cremosa, notas de frutos secos e uma complexidade que n\u00e3o seria poss\u00edvel de outra forma. At\u00e9 mesmo em vinhos tintos, as borras podem desempenhar um papel importante, ajudando a suavizar taninos e a adicionar corpo.<\/p>\n<p>O encanto das borras n\u00e3o est\u00e1 apenas nos seus resultados t\u00e1teis e arom\u00e1ticos. Elas tamb\u00e9m s\u00e3o um elo entre o vinho e a natureza. Representam o ciclo completo da uva, da videira \u00e0 garrafa, simbolizando uma liga\u00e7\u00e3o profunda entre o terroir, o produtor e o consumidor. Essa dimens\u00e3o simb\u00f3lica contribui para a crescente valoriza\u00e7\u00e3o dos vinhos feitos com m\u00e9todos tradicionais, onde o contacto com as borras \u00e9 considerado um elemento aut\u00eantico e cultural.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o uso das borras \u00e9 tamb\u00e9m uma express\u00e3o de sustentabilidade. Ao aproveitar este \u201cres\u00edduo\u201d, os produtores conseguem reduzir o desperd\u00edcio e criar vinhos mais naturais, alinhados com as tend\u00eancias de consumo consciente. Isso refor\u00e7a a ideia de que cada componente do processo de vinifica\u00e7\u00e3o tem um prop\u00f3sito e pode ser aproveitado para criar algo extraordin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Portanto, o que \u00e0 primeira vista pode parecer um detalhe t\u00e9cnico ou uma peculiaridade de produ\u00e7\u00e3o, revela-se como um dos aspectos mais apaixonantes do mundo do vinho. As borras do vinho s\u00e3o uma t\u00e9cnica, mas tamb\u00e9m um verdadeiro convite a explorar a magia da enologia em todas as suas dimens\u00f5es.<\/p>\n<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Origem e Hist\u00f3ria do Uso das Borras no Vinho<\/h2>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">A pr\u00e1tica de deixar o vinho em contacto com as borras remonta aos prim\u00f3rdios da vinifica\u00e7\u00e3o. Na antiguidade, culturas como as civiliza\u00e7\u00f5es eg\u00edpcia, grega e romana j\u00e1 produziam vinho utilizando recipientes rudimentares, como \u00e2nforas de barro. Nesses recipientes, as borras acumulavam-se naturalmente, e os produtores perceberam que os vinhos assim armazenados apresentavam caracter\u00edsticas distintas. Embora naquela \u00e9poca n\u00e3o existisse o conhecimento cient\u00edfico para explicar esses efeitos, j\u00e1 se intu\u00eda que algo especial acontecia durante este contacto prolongado.<\/p>\n<p>Os gregos, pioneiros no estudo do vinho, registaram pr\u00e1ticas rudimentares relacionadas \u00e0s borras. Eles consideravam as borras como uma \u201cess\u00eancia\u201d do vinho, conectada diretamente ao solo e \u00e0 natureza. Arist\u00f3teles, por exemplo, mencionava que os vinhos mais complexos e ricos muitas vezes resultavam de t\u00e9cnicas menos intervencionistas, onde as borras desempenhavam um papel significativo.<\/p>\n<p>Os romanos, grandes inovadores da vinifica\u00e7\u00e3o, refinaram estas pr\u00e1ticas e come\u00e7aram a aplicar o uso das borras de forma mais intencional. Os vinhos que produziam eram frequentemente transportados em \u00e2nforas por longas dist\u00e2ncias, durante as quais permaneciam em contacto com as borras. Este processo preservava os vinhos, contribuindo tamb\u00e9m para o desenvolvimento de aromas e sabores mais complexos, como notas de nozes, mel e especiarias.<\/p>\n<p>Na Idade M\u00e9dia, os mosteiros europeus deram continuidade a estas pr\u00e1ticas. Os monges, respons\u00e1veis por algumas das mais importantes descobertas enol\u00f3gicas, documentaram que o contacto prolongado com as borras contribu\u00eda para a longevidade dos vinhos. Em regi\u00f5es como a Borgonha, esta t\u00e9cnica foi levada a novos patamares, influenciando a produ\u00e7\u00e3o de vinhos brancos ricos e elegantes que ainda hoje s\u00e3o refer\u00eancia mundial.<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o da ci\u00eancia enol\u00f3gica no s\u00e9culo XX, finalmente foi poss\u00edvel compreender o papel das borras no vinho. Estudos detalhados revelaram que compostos libertados pelas borras, como polissac\u00e1ridos e amino\u00e1cidos, t\u00eam um impacto direto na textura, estabilidade e complexidade arom\u00e1tica. Este conhecimento permitiu que os produtores aplicassem t\u00e9cnicas mais precisas e controladas, elevando a qualidade dos vinhos a n\u00edveis sem precedentes.<\/p>\n<p>Assim, o uso das borras evoluiu de uma pr\u00e1tica intuitiva para uma abordagem cient\u00edfica e art\u00edstica. Hoje, as borras s\u00e3o valorizadas pelo seu papel t\u00e9cnico e tamb\u00e9m pela heran\u00e7a cultural que carregam, representando s\u00e9culos de experimenta\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento na arte de fazer vinho.<\/p>\n<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">O Processo de Aut\u00f3lise: Ci\u00eancia por Tr\u00e1s das Borras<\/h2>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">O contacto do vinho com as borras desencadeia um fen\u00f3meno fascinante e crucial para a qualidade final do produto: o processo de aut\u00f3lise. Durante este processo, que ocorre ap\u00f3s a fermenta\u00e7\u00e3o, as c\u00e9lulas de leveduras mortas come\u00e7am a decompor-se gradualmente, libertando compostos que interagem com os componentes do vinho de maneira \u00fanica.<\/p>\n<p>A aut\u00f3lise \u00e9, essencialmente, uma transforma\u00e7\u00e3o qu\u00edmica em c\u00e2mara lenta. As leveduras, ao se desintegrarem, libertam manoprote\u00ednas, polissac\u00e1ridos e amino\u00e1cidos, subst\u00e2ncias que desempenham pap\u00e9is fundamentais na textura, estabilidade e perfil sensorial do vinho. Este fen\u00f3meno, que pode durar meses ou mesmo anos, \u00e9 particularmente evidente em vinhos que beneficiam de um contacto prolongado com as borras, como brancos de guarda e espumantes de alta qualidade.<\/p>\n<h3>Benef\u00edcios Qu\u00edmicos e Sensoriais<\/h3>\n<p>Um dos principais benef\u00edcios da aut\u00f3lise \u00e9 a melhoria da textura do vinho. Os polissac\u00e1ridos libertados aumentam a viscosidade e conferem uma sensa\u00e7\u00e3o de corpo mais rica e aveludada. Este efeito \u00e9 particularmente desej\u00e1vel em vinhos brancos encorpados, onde a cremosidade pode elevar a experi\u00eancia gustativa a um n\u00edvel superior.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as manoprote\u00ednas desempenham um papel crucial na estabiliza\u00e7\u00e3o do vinho. Estas mol\u00e9culas ajudam a prevenir a forma\u00e7\u00e3o de cristais de tartarato e contribuem para a reten\u00e7\u00e3o de compostos arom\u00e1ticos vol\u00e1teis, assegurando que o vinho preserve os seus aromas delicados durante o envelhecimento. \u00c9 por isso que muitos vinhos que passam por aut\u00f3lise apresentam notas arom\u00e1ticas complexas, como p\u00e3o tostado, frutos secos e mel.<\/p>\n<h3>Tempo e Paci\u00eancia: Elementos Essenciais<\/h3>\n<p>A aut\u00f3lise \u00e9 um processo que exige tempo e paci\u00eancia, duas virtudes que definem a produ\u00e7\u00e3o de vinhos premium. Em espumantes elaborados pelo m\u00e9todo tradicional, por exemplo, o contacto com as borras pode durar v\u00e1rios anos. Durante este per\u00edodo, o vinho adquire caracter\u00edsticas que seriam imposs\u00edveis de alcan\u00e7ar por outros m\u00e9todos, como uma mousse cremosa e aromas de brioche e am\u00eandoas.<\/p>\n<p>Por outro lado, em vinhos brancos de guarda, a aut\u00f3lise ajuda a desenvolver uma profundidade e complexidade que distinguem estes vinhos de outros de produ\u00e7\u00f5es mais jovens e simples. Este equil\u00edbrio entre ci\u00eancia e arte \u00e9 o que torna o uso das borras uma pr\u00e1tica t\u00e3o fascinante e essencial na enologia moderna.<\/p>\n<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Tipos de Vinhos e Diferentes Impactos das Borras<\/h2>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">As borras desempenham pap\u00e9is diferentes dependendo do estilo e do tipo de vinho, contribuindo de maneira \u00fanica para o perfil final de cada um deles. Em vinhos brancos, por exemplo, o contacto prolongado com borras \u00e9 frequentemente utilizado para criar texturas mais cremosas e adicionar uma complexidade arom\u00e1tica que eleva o vinho. Castas como Chardonnay e Viosinho beneficiam enormemente deste contacto, resultando em vinhos ricos, elegantes e de longa guarda.<\/p>\n<p>Nos espumantes, especialmente os produzidos pelo m\u00e9todo tradicional, as borras t\u00eam uma fun\u00e7\u00e3o essencial. Durante o processo de envelhecimento \u201csur lie\u201d, os espumantes adquirem uma efervesc\u00eancia refinada, acompanhada por notas arom\u00e1ticas de brioche, frutos secos e mel. Esta t\u00e9cnica \u00e9 amplamente utilizada em regi\u00f5es como Champagne, onde o contacto prolongado com borras \u00e9 um dos pilares da qualidade.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos vinhos tintos, o contacto com borras \u00e9 menos frequente, mas pode ser uma ferramenta valiosa em casos espec\u00edficos. Quando bem aplicado, pode ajudar a suavizar taninos excessivamente agressivos, adicionar corpo e harmonizar o conjunto. Esta pr\u00e1tica \u00e9 particularmente \u00fatil em vinhos produzidos com castas naturalmente t\u00e2nicas, como a Tinta Roriz ou a Cabernet Sauvignon.<\/p>\n<p>Nos vinhos fortificados, como o Porto ou o Madeira, as borras desempenham um papel mais discreto devido ao processo de fortifica\u00e7\u00e3o e ao elevado teor alco\u00f3lico, que j\u00e1 conferem estabilidade ao vinho. Ainda assim, o contacto inicial com borras durante a fermenta\u00e7\u00e3o pode influenciar positivamente o desenvolvimento de sabores complexos e estruturados.<\/p>\n<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Pr\u00e1ticas na Adega: Maneio das Borras<\/h2>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">Gerir o contacto com as borras na adega \u00e9 uma pr\u00e1tica que exige experi\u00eancia e aten\u00e7\u00e3o aos detalhes. Entre as t\u00e9cnicas mais comuns est\u00e1 a b\u00e2tonnage, um processo que envolve a agita\u00e7\u00e3o regular do vinho para reincorporar as borras finas. Esta pr\u00e1tica, frequentemente utilizada em vinhos brancos e espumantes, permite que os compostos ben\u00e9ficos das borras sejam mais eficazmente integrados no vinho, contribuindo para a textura cremosa e a estabilidade.<\/p>\n<p>Outra pr\u00e1tica comum \u00e9 a sele\u00e7\u00e3o cuidadosa das borras. Nem todas as borras s\u00e3o iguais: enquanto as borras finas s\u00e3o ricas em compostos como polissac\u00e1ridos e amino\u00e1cidos, as borras grossas podem conter materiais menos desej\u00e1veis, como sedimentos pesados, que podem introduzir sabores indesej\u00e1veis ou defeitos arom\u00e1ticos. Assim, muitas adegas optam por passagens a limpo, separando as borras grossas e descartando aquelas que poderiam comprometer a qualidade do vinho.<\/p>\n<p>O tempo de contacto tamb\u00e9m \u00e9 um fator cr\u00edtico. Um per\u00edodo excessivo de contacto com as borras pode levar ao desenvolvimento de aromas de redu\u00e7\u00e3o, como notas de enxofre ou borracha, enquanto um tempo insuficiente pode limitar os benef\u00edcios potenciais. Por isso, os en\u00f3logos monitorizam cuidadosamente a evolu\u00e7\u00e3o do vinho, ajustando o tempo de contacto conforme necess\u00e1rio para alcan\u00e7ar o equil\u00edbrio desejado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a temperatura de armazenamento durante o contacto com as borras pode influenciar significativamente o resultado final. Temperaturas mais baixas tendem a preservar os compostos arom\u00e1ticos vol\u00e1teis, enquanto temperaturas ligeiramente mais altas podem acelerar o processo de aut\u00f3lise, intensificando os efeitos das borras no vinho. A escolha da temperatura ideal depende do estilo de vinho que se pretende produzir, tornando esta decis\u00e3o uma parte essencial do maneio na adega.<\/p>\n<h3 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Exemplos de Excel\u00eancia: Vinhos Criados com est\u00e1gio prolongado nas Borras<\/h3>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">A utiliza\u00e7\u00e3o das borras tem sido um marco na cria\u00e7\u00e3o de vinhos ic\u00f3nicos ao longo da hist\u00f3ria, com exemplos que refletem a mestria dos produtores e a singularidade de cada terroir. Na regi\u00e3o de Champagne, o m\u00e9todo tradicional de produ\u00e7\u00e3o de espumantes \u00e9 talvez o exemplo mais conhecido do impacto positivo das borras. Os espumantes desta regi\u00e3o passam anos em contacto com as borras, resultando em vinhos que combinam uma mousse delicada, textura cremosa e notas arom\u00e1ticas de brioche, am\u00eandoas e frutos secos.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 encontrado na Borgonha, onde os vinhos brancos de Montrachet s\u00e3o amplamente reconhecidos pela sua riqueza e profundidade. O contacto prolongado com as borras \u00e9 parte fundamental do processo de vinifica\u00e7\u00e3o nesta regi\u00e3o, permitindo que os vinhos desenvolvam uma estrutura elegante e uma longevidade invej\u00e1vel.<\/p>\n<p>Em Portugal, a utiliza\u00e7\u00e3o das borras tamb\u00e9m tem gerado vinhos de excel\u00eancia. Nos Vinhos Verdes, por exemplo, muitos produtores utilizam o contacto com borras finas para adicionar complexidade e corpo aos seus brancos. Castas como Viosinho no Douro, Arinto em Lisboa e Alvarinho no Vinho Verde beneficiam particularmente desta t\u00e9cnica, resultando em vinhos equilibrados que combinam frescura e profundidade.<\/p>\n<p>Ainda no contexto portugu\u00eas, alguns vinhos tintos da regi\u00e3o do Douro demonstram o impacto positivo do uso das borras. Nestes casos, a pr\u00e1tica da b\u00e2tonnage \u00e9 usada para suavizar os taninos, equilibrar a estrutura e adicionar camadas de sabor. Al\u00e9m disso, a combina\u00e7\u00e3o com pr\u00e1ticas enol\u00f3gicas modernas tem permitido criar tintos que se destacam pela eleg\u00e2ncia e longevidade.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o da Als\u00e1cia, os vinhos brancos elaborados com contacto prolongado com borras s\u00e3o valorizados pelas suas texturas aveludadas e aromas que evoluem com o tempo. Da mesma forma, espumantes italianos, como o Franciacorta, demonstram como o uso das borras pode elevar a complexidade e proporcionar um final longo e marcante.<\/p>\n<p>Estes exemplos sublinham como o contacto com as borras \u00e9 uma pr\u00e1tica t\u00e9cnica, e tamb\u00e9m uma verdadeira express\u00e3o de terroir e habilidade enol\u00f3gica, destacando-se como um elemento diferenciador em vinhos de alta qualidade.<\/p>\n<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Desafios e Riscos no Uso das Borras<\/h2>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">Embora as borras sejam uma ferramenta valiosa na enologia, o seu uso apresenta desafios significativos e potenciais riscos que exigem uma abordagem cuidadosa por parte dos produtores. Um dos principais desafios \u00e9 a gest\u00e3o adequada das borras durante o envelhecimento do vinho. Se o contacto com as borras for prolongado de forma excessiva ou mal controlado, pode levar ao desenvolvimento de aromas indesej\u00e1veis, como notas de redu\u00e7\u00e3o, que incluem cheiros de enxofre, borracha ou ovos podres. Esses aromas, quando muito intensos, comprometem a qualidade e a aceita\u00e7\u00e3o do vinho pelo consumidor.<\/p>\n<p>Outro risco associado ao uso das borras \u00e9 a possibilidade de contamina\u00e7\u00e3o microbiol\u00f3gica. Apesar de as borras conterem nutrientes que podem beneficiar o vinho, elas tamb\u00e9m podem servir de substrato para o crescimento de microrganismos indesej\u00e1veis, como bact\u00e9rias l\u00e1ticas ou ac\u00e9ticas. Caso n\u00e3o sejam implementadas boas pr\u00e1ticas de higiene e monitoriza\u00e7\u00e3o na adega, esses microrganismos podem proliferar, levando a defeitos no vinho, como acidez vol\u00e1til elevada e aromas desagrad\u00e1veis a vinagre.<\/p>\n<p>A temperatura de armazenamento tamb\u00e9m \u00e9 um fator cr\u00edtico no uso das borras. Temperaturas inadequadas podem acelerar processos de degrada\u00e7\u00e3o indesejada ou dificultar a integra\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas positivas associadas \u00e0 aut\u00f3lise das borras. \u00c9 fundamental que os produtores mantenham um controlo rigoroso da temperatura ao longo de todo o processo de envelhecimento para garantir que o vinho evolua de forma harmoniosa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o maneio das borras requer uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 composi\u00e7\u00e3o inicial do vinho. Certos estilos de vinho ou castas podem n\u00e3o responder bem ao contacto prolongado com as borras, resultando em vinhos desequilibrados ou com caracter\u00edsticas sensoriais que n\u00e3o correspondem \u00e0s expectativas dos consumidores. Por isso, o en\u00f3logo deve avaliar cuidadosamente o potencial do vinho antes de decidir pela utiliza\u00e7\u00e3o das borras como ferramenta de melhoria.<\/p>\n<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Conclus\u00e3o: Um Elemento Indispens\u00e1vel e Fascinante<\/h2>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">O uso das borras no vinho \u00e9 muito mais do que uma t\u00e9cnica enol\u00f3gica; \u00e9 uma arte que combina ci\u00eancia, tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o. As borras transformam-se de um simples res\u00edduo numa poderosa ferramenta capaz de elevar a qualidade e a complexidade do vinho, desde a textura e os aromas at\u00e9 \u00e0 longevidade. No entanto, esta pr\u00e1tica exige conhecimento, paci\u00eancia e um profundo respeito pelos processos naturais.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da hist\u00f3ria, as borras desempenharam um papel central na evolu\u00e7\u00e3o do vinho, influenciando a forma como percebemos e valorizamos esta bebida ancestral. Seja em espumantes de renome, vinhos brancos de prest\u00edgio ou tintos elegantes, o contacto com as borras representa um compromisso com a autenticidade e a express\u00e3o do terroir.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os desafios associados ao uso das borras, como o risco de contamina\u00e7\u00e3o ou aromas indesej\u00e1veis, sublinham a import\u00e2ncia do rigor t\u00e9cnico e da experi\u00eancia na gest\u00e3o desta t\u00e9cnica. Cada decis\u00e3o, desde o tempo de contacto at\u00e9 \u00e0 temperatura de armazenamento, pode fazer a diferen\u00e7a entre um vinho comum e um vinho extraordin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Para os apreciadores de vinho, compreender o papel das borras \u00e9 uma oportunidade de aprofundar a liga\u00e7\u00e3o com o vinho. \u00c9 uma forma de apreciar o trabalho, a dedica\u00e7\u00e3o e o saber-fazer que tornam cada garrafa \u00fanica.<\/p>\n<p>Portanto, da pr\u00f3xima vez que levantar um copo de vinho e sentir as suas texturas cremosas ou os aromas complexos, lembre-se das borras. Elas s\u00e3o o s\u00edmbolo de como a natureza e a arte humana podem convergir para criar algo verdadeiramente m\u00e1gico.<\/p>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity casca-liga\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Da p\u00e1gina para o copo<\/h3>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n\n<li><a href=\"https:\/\/cascawines.com\/pt\/produto\/monte-cascas-reserva-branco-douro\/\"><strong>Monte Cascas Reserva Branco Douro<\/strong><\/a> \u2014 Viosinho fermentado em barrica, com b\u00e2tonnage de quinze em quinze dias.<\/li>\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/cascawines.com\/pt\/produto\/1808-espumante-brut-nature\/\"><strong>1808 Espumante Brut Nature<\/strong><\/a> \u2014 M\u00e9todo tradicional, vinte meses sobre borras, sem a\u00e7\u00facar no d\u00e9gorgement.<\/li>\n\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As borras do vinho s\u00e3o uma das mais fascinantes e subestimadas ferramentas da enologia. Para muitos consumidores, as borras podem parecer apenas um resqu\u00edcio do processo de fermenta\u00e7\u00e3o, algo que deveria ser eliminado. No entanto, para en\u00f3logos experientes, elas representam um mundo de possibilidades, uma forma de elevar a qualidade de um vinho e criar&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"_kad_post_classname":"","_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[91,96],"tags":[],"class_list":["post-230","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-na-vinha-e-na-adega"],"acf":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cascawines.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cascawines.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cascawines.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cascawines.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cascawines.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=230"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cascawines.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1172,"href":"https:\/\/cascawines.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230\/revisions\/1172"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cascawines.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cascawines.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cascawines.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}