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Vinhos Sem Sulfitos

Vinhos sem sulfitos? A resposta é inequívoca: não existem. Os sulfitos são um dos subprodutos da fermentação alcoólica. Ora todos os vinhos têm de passar por uma fermentação alcoólica, pois é durante a mesma que os açúcares naturais da uva se transformam em álcool. Assim sendo, todos os vinhos têm sulfitos.

Está a pensar… seria capaz de jurar que já ouviu falar em vinho sem sulfitos? É possível. O que acontece é que a nomenclatura “vinhos sem sulfitos” é usada de forma errada. Na verdade,  essa expressão deveria ser corrigida para “vinhos sem adição de sulfitos”.

 

O que são os Sulfitos?

O que são, afinal, os sulfitos? Como referi acima, são um subproduto da fermentação, que existe naturalmente em alimentos fermentados, como o pão e – claro! – o vinho. Os sulfitos são os compostos derivados do sulfuroso, que tem na sua fórmula o enxofre. Em enologia o sulfuroso é comprovadamente utilizado há centenas de anos na produção de vinho. Embora se acredite que já teria sido utilizado na produção de vinho pelos Romanos, não existe forma de o provar. O mais antigo registo escrito conhecido da sua utilização data de 1487, na Alemanha.

Para que servem os Sulfitos no Vinho?

Os sulfitos cumprem várias funções num vinho. Entre elas, destaco o poder enquanto estabilizante microbiano, dado que o sulfuroso inibe o crescimento de microrganismos que podem interferir e deteriorar a qualidade dos vinhos. Não menos importante é o seu poder antioxidante. Uma vez que o envelhecimento dos vinhos não é mais que uma oxidação, sulfuroso, os sulfitos, ajudam os vinhos a serem melhor preservados no tempo.

Na realidade, os vinhos podem não precisar de adição de sulfitos. O vinho natural ou de intervenção mínima é a prova disso. Mas é importante que saiba que os vinhos sem adição de sulfitos não sabem ao mesmo que os vinhos convencionais e que o vinho natural fica longe do perfil gustativo dos vinhos convencionais.

Porque às vezes no meio é que está a virtude, chegou-se a um tipo de vinho que não é nem vinho natural, nem vinho convencional, graças ao avanço na enologia e à sabedoria adquirida pelos enólogos. Trata-se de um tipo de vinho que se produz utilizando o modo convencional de produção de vinho, mas que não tem qualquer adição de sulfitos no seu processo de produção.

Desta forma obtém-se um aroma e um sabor mais próximo dos vinhos convencionais do que do vinho natural.

Na enologia minimalista, mais crua, o tema central é deixar de utilizar o sulfuroso sem perder qualquer uma das qualidades do vinho — o que exige experiência, sabedoria e coragem para se trabalhar sem a “rede” que ele representa. Extremismos à parte, acho que uma dose homeopática de sulfuroso nas fases cruciais da produção pode ser a diferença entre o sucesso e o completo fracasso. Como se costuma dizer, nem tanto ao mar nem tanto à terra.

Vantagens dos Vinhos sem Sulfitos

Atenção que isto interessa a quem é alérgico a sulfitos! Se costuma ter sintomas como manchas vermelhas, prurido ou erupções, espirros, dores de cabeça ou até sintomas de asma quando bebe vinho, é possível que tenha alergia a sulfitos, ou então bebeu demais. No primeiro caso, saiba que a quantidade deste composto encontrada num vinho sem adição de sulfitos é diminuta. Logo, é perfeitamente possível que possa beber este tipo de vinho sem manifestar os tais sintomas.

Há, aliás, vários mitos à volta do sulfuroso. O mais conhecido é o de atribuir a culpa de uma dor de cabeça ao coitado do sulfuroso. Em boa verdade, é muito pouco provável que seja apenas ele o culpado, e muito mais lógico que a dor de cabeça seja o resultado daqueles “copos” a mais, ou de uma intolerância à histamina (amina biogénica) que alguns vinhos podem conter. Vale ainda saber que, no vinho, o sulfuroso tem limites legais muito mais apertados do que noutros alimentos, onde pode existir em quantidades até dez vezes maiores.

Desvantagens dos Vinhos sem Sulfitos

A desvantagem dos vinhos sem sulfitos é essencialmente a incerteza do caminho durante o envelhecimento que estes vinhos podem ter, e aqui refiro-me em especial ao vinho natural. Em relação ao vinho que o enólogo produz – em que a única diferença é a não utilização de sulfitos – este tipo de vinho tem certamente um caminho que deverá ser mais linear, ou mais seguro e previsível, digamos assim, durante o seu estágio de envelhecimento, comparado com o percurso de um vinho natural.

É sempre bom saber que temos escolha. E neste caso, a escolha é sua. De qualquer forma, está revelado mais um segredo do mundo do vinho. Fica o saber… porque esse não causa alergias e nunca ocupa lugar.


Da página para o copo

Nenhum dos nossos vinhos é isento de sulfitos. Estes três são biológicos e vegan, feitos com os sulfitos no mínimo que o vinho aceita.

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